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  • Gandhy Piorski

Pré história e brinquedo popular

às meninas e meninos do Assentamento Alívio-RN



Pelo feliz convite de minha rara amiga e arqueóloga Marcélia Marques, iniciei um trabalho de educação patrimonial numa comunidade, assentamento, no Rio Grande do Norte, chamada Alívio.

Entre o mar e o sertão Alívio fica bem próxima às praias de Touros e São Miguel do Gostoso.


Trabalhamos com 10 meninas e meninos (12 a 16 anos), por quase um ano, construindo DIORAMAS. Caixas em madeira, com mecanismos acionados por manivelas, movimentando figuras esculpidas, também em madeira.

Essas figuras eram representativas do universo primitivo de homens caçadores e coletores da pré-história.

A partir dos artefatos de pedra lascada encontrados na região, resultado de prospecção arqueológica exigida pelo IPHAN para instalação de um parque eólico, desenvolvemos com os jovens uma pesquisa estética para criar representação àqueles artefatos.



Envolvemos a turma num estudo de pintura primitivista e escultura popular para recriar cenas possíveis da vida daquelas populações.

Aos poucos, aproveitando a experiência de caça, lavoura, criação de rebanhos e usos de ferramentas diversas que as meninas e os meninos conhecem de seus quotidianos, fui os amplificando e os retroagindo imaginariamente. Vimos, pesquisamos e exercitamos juntos, as técnicas dos pintores e escultores de traço primitivo, com seus pictóricos explosivos e esfuziantes.

Logo, e com beleza, eles acessaram uma história quase imaginal de pessoas que viveram muito antes deles naquele lugar.

Nasceram figuras de animais, homens pré-históricos com feições RASTAFARI, partos rupestres, e recriação de ferramentas usadas por eles para caça e pesca.

Exercício de IMAGINAÇÃO (PRÉ) HISTÓRICA.



Montamos os móveis e suportes para maquinários de nossa marcenaria, projetamos e construímos nossas caixas de ferramentas e, depois, elaboramos os dioramas/brinquedos. Usamos as madeiras que embalavam as gigantescas peças dos aero geradores (parque eólico) que seriam instalados.

Nossa oficina foi num estábulo desativado.

Nosso combustível, a alegria de trabalharmos juntos uma semana inteira por mês para fabular projetos escultóricos livres, coloridos, bem humorados e agudos. E, é claro, tendo como tempero fundamental, muitos erros e acertos!

Cada jovem, a sós ou em grupo, trabalhou por mais de seis meses em seu projeto.

Pela qualidade, superação e força de expressão desses amigos inesquecíveis que fiz, de Alívio, essa singela obra coletiva foi convidada pelo IPHAN da cidade de Natal para ser mostra. Nasceu a exposição PRÉ-HISTÓRIA E BRINQUEDO POPULAR que ficou em cartaz na sede do IPHAN do Rio grande do Norte por dois meses.